quinta-feira, 30 de abril de 2026

Audiência pública em Jordânia revela tensão entre mineração e sustentabilidade no Vale do Jequitinhonha

 


Moradores temem impacto na água e no modo de vida sertanejo; presidente da Câmara defende protagonismo da comunidade

Jordânia (MG) — A audiência pública realizada na última semana na Câmara Municipal de Jordânia reuniu centenas de moradores para discutir os impactos e a implementação de projetos minerários na região. O clima no recinto era uma mistura de expectativa e profunda preocupação. De um lado, a promessa de desenvolvimento econômico e geração de empregos; do outro, o medo real de que o "progresso" custe caro demais para o ecossistema e para o modo de vida sertanejo.

Durante horas de debate, três temas se mostraram cruciais para a comunidade. O primeiro deles é a questão hídrica. O Vale do Jequitinhonha já sofre com a escassez de água, e a maior preocupação dos presentes é o volume que a atividade mineradora consome, além do risco de contaminação dos lençóis freáticos e dos rios locais.

O impacto social e na infraestrutura também dominou as falas. Discutiu-se se a cidade está preparada para um aumento populacional repentino, os reflexos no tráfego de estradas e, principalmente, se os empregos prometidos serão de fato destinados aos moradores de Jordânia. Já no eixo da preservação ambiental, lideranças comunitárias e ambientalistas alertaram para a perda da biodiversidade e a descaracterização da paisagem que define a identidade da região.

"Queremos sobreviver com dignidade"

O que mais marcou os debatedores, segundo relatos, não foram os gráficos técnicos apresentados pelas empresas, mas os depoimentos de produtores rurais e famílias que vivem da terra há gerações. Em entrevista à reportagem, o presidente da Câmara Municipal de Jordânia, Marcos Cardoso, afirmou que ficou claro, ao fim da audiência, que "Jordânia não quer apenas crescer; quer sobreviver com dignidade".

Cardoso ressaltou que o evento é apenas o começo de um processo mais amplo. "Saí de lá convencido de que o licenciamento ambiental não pode ser apenas um rito burocrático, mas um processo de escuta ativa", declarou. Para ele, o desenvolvimento só é real se for sustentável e se o povo de Jordânia for o verdadeiro protagonista de sua própria história — "e não apenas um espectador da exploração de suas riquezas".

A audiência pública foi convocada como parte das etapas iniciais de discussão sobre novos empreendimentos minerários na região, ainda em fase de licenciamento. Não há data definida para a próxima reunião, mas a comunidade promete seguir mobilizada.




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